TRANSPORTE

O complexo soja é dependente do transporte em três fases:

- Transporte entre o produtor e a industria de esmagamento ou armazenagem do produto;
- Transporte do grão armazenado para aindústria de processamento ou dos armazéns e indústrias para a exportação; e
- Transporte dos produtos derivados de soja com destino ao mercado interno e externo.

A tabela 1 nos mostra que a modalidade de transporte rodoviário absorver em 1996 63,72% do total de cargas do Brasil, seguido pelo transporte ferroviário com uma participação de 20,72% e o hidroviário com 11,46%.

Carga Transportada por Km, 1985/1996

Modalidade: 1985 1990 1996
Aéreo 0,3% 0,3% 0,31%
Dutoviário 4,1% 3,6% 3,79%
Ferroviário 23,2% 21,7% 20,72%
Hidroviário 18,0% 18,1% 11,46%
Rodoviário 54,4% 56,3% 63,72%
Total 100% 100% 100%
Fonte: Soja: Aspectos Econômicos e Contribuição para o Desenvolvimento de Economia Brasileira, Antônio Carlos Roessing e Luiz Carlos Stolf - Embrapa, apud Anuário Estatístico da Anfavea 1996, apud GEIPOT.

Segundo dados da ABIOVE em 1995 o complexo soja apresentou concentração de 67% da produção de soja transportada por rodovia, 28% por ferrovia e apenas 5% por hidrovia. A falta de hidrovias e a insuficiência de ferrovias faz com que o sistema rodoviário seja o mais utilizado. No estanto este sistema esbarra na precariedade das estradas brasileiras, o que eleva o seu custo.

Outra característica importante quanto ao custo do transporte rodoviário consiste na diferença no custo/km praticado. Para deslocamentos curtos, dentro do Estado o custo/Km é mais elevado devido a falta de concorrência entre transportadoras. Para deslocamentos longos, entre um Estado e outro, há maior concorrência entre transportadoras, o que ocasiona uma redução do custo/km.

Custo Médio do Transporte de Grão de Soja, conforme rota percorrida em regiões produtoras junho/1997

Origem Destino Km Vlr. frete R$/t Preço Soja R$/t (1) Custo/km R$
Ponta Grossa/PR Paranagua/PR 217 11,00 270,00 0,05069
Sapezal/MT Paranagua/PR 2.300 91,25 270,00 0,03967
Fonte: Soja: Aspectos Econômicos e Contribuição para o Desenvolvimento de Economia Brasileira, Antônio Carlos Roessing e Luiz Carlos Stolf - Embrapa, apud Sifreca - Sistema de Informações para cargas agrícolas.

O sistema de transporte que mais honera o produtor é justamente o que é mais utilizado, no entanto os produtores estão deixando de lado uma atitude passiva, para determinações mais arrojadas, como é o caso do produtor Blairo Maggi, que construiu com recursos próprios uma hidrovia que lhe gera uma economia de até 20% no custo com transporte. A hidrovia Madeira-Amazonas, inicia em Porto Velho, Rondonia e tem seu ponto central em Itacoatiara, cidade a beira do Rio Amazonas e a 260 km de Manaus. Para economizar tempo e dinheiro navios europeus e asiáticos navegam 1.100 km Amazonas a dentro para pegar a soja em Itacoatiara. Contrariando a logística vigente, que leva toda a produção do Centro-Oeste brasileiro aos portos de Paranaguá e Santos, Blairo fez com que os navios economizassem seis dias de viagem ida e volta aos Portos de Santos e de Paranaguá.

As barcaças de 200 metros de comprimento e 33 metros de largura, quando cheias levam no total 16.000 mil toneladas de soja, se utilizasse o transporte rodoviário seriam necessário 600 caminhões graneleiros. Quando as barcaças retornam até o Mato Grosso vazias, servem de campo de futebol pela tripulação.